Alerta do Fernando Blanco (do Blog do Crédito, leitura mais que recomendada):

Os democratas já começam a se mobilizar em torno de um plano alternativo ao do triunvirato Bush, Bernanke & Paulson. De acordo com a Bloomberg, o presidente do comitê bancário do senado, Chris Dodd, apresentou hoje uma nova proposta. Os pontos principais seriam que o governo receberia em ações o equivalente aos títulos podres que comprasse (mais ou menos como aconteceu com a AIG – nesse caso foi um empréstimo) e uma punição aos executivos envolvidos.

É uma proposta ousada, que pode resolver um dos principais problemas da proposta anterior: a atribuição de valor aos títulos. Nunca é demais lembrar que várias instituições têm evitado a marcação a mercado desses valores para evitar baixas contábeis. Caso a proposta de Dodd seja vitoriosa, ficariam em uma sinuca de bico, pois se pedissem preços acima do valor real nesses títulos, teriam que abrir mão de uma parcela significativa de suas ações.

É uma proposta boa para o contribuinte, que paga impostos e não quer ver seu dinheiro usado para consertar trapalhadas alheias, e péssima para os bancos. Estes terão que praticamente escolher entre continuar enfrentando a crise com as próprias pernas ou entregar seu controle para Washington.

Os principais bancos do país nas mãos do governo era uma idéia inimaginável há algumas semanas. Mas, desde a semana passada, já dava para prever que uma coisa assim aconteceria, de uma forma ou de outra (através das garantias bancárias, que passaram a poder ser depositadas em ações, por exemplo).

O mercado parece não ter reagido bem. É compreensível, como já alertamos. Cada vez mais o governo sobrepõe-se nos papéis de regulador e player. Repito, para os contribuintes americanos pode ser que essa seja a melhor saída, mas para quem opera nos mercados, tempos ainda mais difíceis devem vir por aí…