Apesar de toda a discussão em torno vários pontos do projeto de resgate do sistema financeiro apresentado pelo governo americano, as principais divergências giram mesmo em torno da questão da atribução de valor aos títulos podres (ou tóxicos, para usar a expressão da moda).

Parece que a tentativa de desviar a atenção tentada por Paulson e comentada por este blog não surtiu efeito.

De acordo com a proposta atual, os bancos repassariam os títulos ao Tesouro pelo valor de face. É um absurdo, afinal, se esses bancos foram incopetentes na admnistração de risco é injusto que agora recebam um punhado de dólares por papéis que valem centavos. Por outro lado, a solução mais justa, que seria a chamada marcação a mercado, ou seja, a atribuição do valor real de mercado a estes títulos obrigaria as empresas a lançarem este prejuízo contábil em seus balanços. Ainda existe muita coisa debaixo do tapete e a súbita revelação da situação financeira dos bancos pode levar a uma nova corrida contra eles. Poderia se repetir, em escala maior, o que ocorreu ao Lehman e à AIG.

Uma solução intermediária seria a contrapartida ao contribuinte, em forma de ações das companhias financiadas. Nesse caso, as próprias instituições seriam obrigadas a encontrar um meio termo, que possibilitasse que não tivessem prejuízos monstruosos, mas que permitisse manter o maior controle acionário possível. O grande problema é a palavra possível na frase anterior. Ninguém – talvez nem mesmo as próprias instituições – tem certeza de quanto estamos falando. É possível que essa saída representasse a estatização de boa parte do sistema financeiro americano. Será que os EUA estão preparados para isso?

Assim, a semana segue em ritmo de apreensão, com o recesso parlamentar se aproximando (afinal, as eleições estão logo aí e os congressistas têm que manter seu emprego). Para apimentar ainda mais, nesta sexta à noite ocorre um debate entre Obama e McCain.